O ROYAL BLOOD provou que o Rock in Rio ainda pode ser inovador e surpreender as pessoas. Mas desse duo britânico vou falar mais adiante.
O caráter de realeza do festival já estava previsto desde o anúncio do QUEEN na noite de abertura e foi emocionante ouvir todas aquelas músicas grandiosas, mesmo tendo sido cantadas por outra voz... E que voz! O misógino Adam Lambert pode até ser meio inadequado ao rock, e digo isso após ter ouvido um single recém-lançado do cantor, mas o talento e o magnetismo do cara são inquestionáveis. Nem precisava ser tão belo...
SYSTEM OF A DOWN e METALLICA também reinaram, como de costume. Esses dois ícones do heavy fizeram ecoar nos trópicos alguns dos maiores hits do gênero, tanto antigos no caso do Metallica, quanto novos no caso do SOAD. Simplesmente sensacionais. Queens of the Stone Age, outra banda com denominação nobre, produziu um som impecável e não consegui me desgrudar da TV. Motley Crue também não decepcionou, em que pese terem usado duas ‘backing vocals’ coreografadas no melhor estilo ‘É o Tchan’.
Com sua energia avassaladora e visual perturbador, o SLIPKNOT me causa a impressão de estar forçando a barra com esse lance de rock horror. O exagero torna esse contexto meio bobo. Corey Taylor continua mandando bem, mas o show foi mais caótico do que consigo compreender. Faith no More, que eu estava muito afim de ver, foi chato.
Outra nota destoante foi aquele monte de ‘canjas’ avacalhadas e mal executadas protagonizadas por vários figurões da música brasileira e internacional. Deviam ao menos ensaiar, pois alguns números foram constrangedores. Para salvar a pele dos brazucas, Lulu Santos mostrou sua habitual competência e a blasfêmia de levar o Mr. Catra ao palco mundo foi, de certa forma, minimizada.
A velha e a nova guarda do pop foram bem representadas por Elton John, Rod Stewart e Sam Smith. Achei mais legal a Baby Consuelo cantando do que Katy Perry e Rihanna. Aliás, apesar do sucesso comercial que essas divas pop trazem ao evento, acho essa onda fake ao extremo.
Vou falar agora de boas surpresas começando pelo MAGIC! Essa banda de reggae pop canadense, que ninguém dava muito por ela, foi perfeita ao vivo. Ótimas músicas, ótimos músicos e uma pegada moderna contagiante, que soa digerível, mas que também remete ao The Police em vários momentos. Curti.
Mas bom mesmo foi o ROYAL BLOOD. Muito doido o show dos caras. Confesso que nunca tinha ouvido falar e quando vi uns meninos entrando em cena pensei: Lá vem outro White Stripes cult... Ledo engano. A dupla, embora aparente ter a influência do Jack White em seu som, faz riffs que lembram mais o Black Sabath nos áureos tempos. Para quem gosta de comparar, senti alguma coisa de Muse no som deles, mas indo em outra direção. O vocalista e baixista Mike Kerr usa efeitos e toca de uma maneira tal que torna dispensável o uso de um guitarrista na banda... O baterista Ben Thatcher funciona como um reloginho e espanca seu instrumento sem dó. Os garotos impuseram seu som para milhares de pessoas e mostraram aos que tem o rock como estilo em decadência que a coisa não é bem assim...
Aliás, mesmo com essa realidade mercadológica musical catastrófica no Brasil, o Rock in Rio bombou. De novo. Assim como sempre bombam outros festivais bem organizados como o Lollapalooza, Monsters of Rock e afins...
Sempre quando algum artista de outro gênero ou mesmo celebridades de segmentos distintos querem ‘melhorar’ sua imagem, eles recorrem ao imaginário rockeiro com tatuagens mirabolantes, roupas que insinuam atitude e sex apeall... Curioso isso.
O rock não ‘santifica’ ninguém. Aliás, muito pelo contrário. Mas, clichês à parte, recorro a um ditado popular bastante adequado para o momento:
‘QUEM FOI REI NUNCA PERDE A MAJESTADE!’
Vida longa ao Rock in Rio! VIVA O ROCK!
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
PRA FAZER SENTIDO
A última tour do KISS acaba de passar pelo Brasil e deixará saudades.
Algo me diz que Paul, Gene e sua turma não voltarão ao país do samba... A
gente fica procurando sentido pras coisas e vez por outra até
encontramos.
Fez o maior sentido pra mim ir ao show dos meus ídolos acompanhado de quem me iniciou no rock: Minha mãe. A mulher que deu minha primeira (e única) guitarra, uma Golden toda enfeitada, ficou ao meu lado enquanto víamos (muito) e ouvíamos (pouco) os caras que ela ficou conhecendo tão bem quanto eu.
Meus vinis do KISS ainda estão em nossa casa, guardados como relíquia, e sua execução avassaladora nos remotos anos 80 tornaram minha mãe uma grande fã dos caras. E ela gosta mesmo. Cantamos juntos ‘I love it loud’, ‘Detroit rock city’, ‘Rock and roll all nite’ e mais uma tonelada de hits da maior banda de rock de todos os tempos, ao menos pra mim.
Com a Vovó Maúcha ao meu lado, reencontrei velhos e queridos amigos naquela noite antológica no Mineirinho, que não estava tão cheio, mas pulsando como jamais tinha visto. E olha que eu vivenciei dezenas de eventos ali...
O show marcado para as 21 hs começou as 21:02 e me dei conta do que é ser profissional num evento daquele tamanho. No Brasil, nesse em vários outros segmentos, a coisa não funciona assim. Mas, não estou aqui para sublinhar nossas mazelas e complexos novamente. E digo mais: até quando erra, o KISS doutrina. O show não foi perfeito, mas e daí?
Pulei feito um baixinho no show da Xuxa e ficava abraçando a Maúcha, berrando aqueles refrões poderosos ao seu ouvido! Ela flertava comigo de rabo de olho e eu pude perceber o quanto estava se divertindo. Foi mágico. A turba dos camisas preta a todo momento paravam-na e a cumprimentavam pela disposição e ela, como uma rainha septuagenária do rock, aceitava a corte com elegância.
Paul Stanley voou pela plateia, Gene Simmons cuspiu fogo e sangue. Explodiram bombas de todos os modos possíveis. A cena que se cria no show do KISS, pra quem não conhece, lembra um sensacional sonho (ou pesadelo...) psicodélico de cores, fumaça e barulho.
Já disse por várias vezes que o outono me deixa nostálgico e melancólico, mas não triste. Inclusive, esse tema será música em breve.
Minha MÃE, o KISS, o ambiente, me levaram ao encontro de lembranças incríveis e naquela noite tudo fez sentido novamente.
É muito bom ter mãe e melhor ainda ter mãe rockeira.
VIVA O ROCK, VIVA MINHA MÃE! GOD GAVE ROCK AND ROLL TO YOU!
Fez o maior sentido pra mim ir ao show dos meus ídolos acompanhado de quem me iniciou no rock: Minha mãe. A mulher que deu minha primeira (e única) guitarra, uma Golden toda enfeitada, ficou ao meu lado enquanto víamos (muito) e ouvíamos (pouco) os caras que ela ficou conhecendo tão bem quanto eu.
Meus vinis do KISS ainda estão em nossa casa, guardados como relíquia, e sua execução avassaladora nos remotos anos 80 tornaram minha mãe uma grande fã dos caras. E ela gosta mesmo. Cantamos juntos ‘I love it loud’, ‘Detroit rock city’, ‘Rock and roll all nite’ e mais uma tonelada de hits da maior banda de rock de todos os tempos, ao menos pra mim.
Com a Vovó Maúcha ao meu lado, reencontrei velhos e queridos amigos naquela noite antológica no Mineirinho, que não estava tão cheio, mas pulsando como jamais tinha visto. E olha que eu vivenciei dezenas de eventos ali...
O show marcado para as 21 hs começou as 21:02 e me dei conta do que é ser profissional num evento daquele tamanho. No Brasil, nesse em vários outros segmentos, a coisa não funciona assim. Mas, não estou aqui para sublinhar nossas mazelas e complexos novamente. E digo mais: até quando erra, o KISS doutrina. O show não foi perfeito, mas e daí?
Pulei feito um baixinho no show da Xuxa e ficava abraçando a Maúcha, berrando aqueles refrões poderosos ao seu ouvido! Ela flertava comigo de rabo de olho e eu pude perceber o quanto estava se divertindo. Foi mágico. A turba dos camisas preta a todo momento paravam-na e a cumprimentavam pela disposição e ela, como uma rainha septuagenária do rock, aceitava a corte com elegância.
Paul Stanley voou pela plateia, Gene Simmons cuspiu fogo e sangue. Explodiram bombas de todos os modos possíveis. A cena que se cria no show do KISS, pra quem não conhece, lembra um sensacional sonho (ou pesadelo...) psicodélico de cores, fumaça e barulho.
Já disse por várias vezes que o outono me deixa nostálgico e melancólico, mas não triste. Inclusive, esse tema será música em breve.
Minha MÃE, o KISS, o ambiente, me levaram ao encontro de lembranças incríveis e naquela noite tudo fez sentido novamente.
É muito bom ter mãe e melhor ainda ter mãe rockeira.
VIVA O ROCK, VIVA MINHA MÃE! GOD GAVE ROCK AND ROLL TO YOU!
quarta-feira, 1 de abril de 2015
NUMA BELA MANHÃ QUALQUER
Numa bela manhã qualquer, você vai pegar um voo de Barcelona para
Düsseldorf. Você está feliz e afasta aquela ideia que sempre vem à
cabeça quando pisa num aeroporto: “Será que essa merda vai cair comigo
dentro?”
Você está a trabalho, ou a passeio, ou numa excursão, ou vai curtir algum show bacana, não importa. Você entra no avião, é cumprimentado pela tripulação com aqueles sorrisos formais e uma simpatia meio artificial, mas faz parte. Qual o problema?
Você vai voar numa companhia alemã, robusta e organizada, mas ainda assim, quando assume o assento e afivela o cinto de segurança, aquela ideia volta a te rondar e você questiona a tecnologia pensando: “Como um bicho desse tamanho pesando toneladas pode se sustentar no ar?”
O avião decola. Pela janela você vê a Europa de cima. Toda cultura, toda história, o mundo foi pensado ali. Lá embaixo aqueles vilarejos bucólicos e os alpes franceses se apresentam como uma dádiva da natureza. Tudo parece bem e sua vida volta a fazer sentido por uns breves momentos. Você tem planos.
Você talvez seja músico e por vezes já pensou: ”E se um dia algum maluco resolver me dar um tiro em cima do palco?” Mas, essa possibilidade é tão remota quanto um avião despencar do céu. Seria quase um prêmio de loteria às avessas. Você repudia aquela ideia novamente.
De repente, você percebe que alguma coisa pode não estar certa... Pelo monitor a sua frente você constata que a altitude da aeronave começa a diminuir vertiginosamente. Você indaga: “Por que estariam batendo na porta da cabine do piloto e gritando dessa forma?”
À sua volta, olhares atônitos cruzam o seu. Você conclui o que está acontecendo.
Em outras ocasiões você já tinha conjecturado se os pilotos do avião em que estava tinham dormido bem, ou se estavam em paz com seus ‘demônios’. Afinal, ali em cima você não tem muita escolha. Nem saída.
Tudo vem à tona nos momentos finais.
Você pensa na sua família, naquela música, em tudo que poderia ter sido e não foi.
Após uma pequena prece e com uma lágrima brotando do olho esquerdo, você chega às suas três últimas conclusões nessa vida:
“Que porra de mundo insano é esse em que vivi!”
“Todos estamos nas mãos de malucos de toda ordem”.
“Hoje não foi meu dia de sorte”.
Você está a trabalho, ou a passeio, ou numa excursão, ou vai curtir algum show bacana, não importa. Você entra no avião, é cumprimentado pela tripulação com aqueles sorrisos formais e uma simpatia meio artificial, mas faz parte. Qual o problema?
Você vai voar numa companhia alemã, robusta e organizada, mas ainda assim, quando assume o assento e afivela o cinto de segurança, aquela ideia volta a te rondar e você questiona a tecnologia pensando: “Como um bicho desse tamanho pesando toneladas pode se sustentar no ar?”
O avião decola. Pela janela você vê a Europa de cima. Toda cultura, toda história, o mundo foi pensado ali. Lá embaixo aqueles vilarejos bucólicos e os alpes franceses se apresentam como uma dádiva da natureza. Tudo parece bem e sua vida volta a fazer sentido por uns breves momentos. Você tem planos.
Você talvez seja músico e por vezes já pensou: ”E se um dia algum maluco resolver me dar um tiro em cima do palco?” Mas, essa possibilidade é tão remota quanto um avião despencar do céu. Seria quase um prêmio de loteria às avessas. Você repudia aquela ideia novamente.
De repente, você percebe que alguma coisa pode não estar certa... Pelo monitor a sua frente você constata que a altitude da aeronave começa a diminuir vertiginosamente. Você indaga: “Por que estariam batendo na porta da cabine do piloto e gritando dessa forma?”
À sua volta, olhares atônitos cruzam o seu. Você conclui o que está acontecendo.
Em outras ocasiões você já tinha conjecturado se os pilotos do avião em que estava tinham dormido bem, ou se estavam em paz com seus ‘demônios’. Afinal, ali em cima você não tem muita escolha. Nem saída.
Tudo vem à tona nos momentos finais.
Você pensa na sua família, naquela música, em tudo que poderia ter sido e não foi.
Após uma pequena prece e com uma lágrima brotando do olho esquerdo, você chega às suas três últimas conclusões nessa vida:
“Que porra de mundo insano é esse em que vivi!”
“Todos estamos nas mãos de malucos de toda ordem”.
“Hoje não foi meu dia de sorte”.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O MERCADO DA MÚSICA NO BRASIL
Minha opinião talvez seja
irrelevante. Se eu soubesse exatamente o que fazer para alcançar o ‘topo’ quem
lá estaria seríamos NÓS e não ELES. Mas o que vou dizer é o que vivencio hoje
e o que vivi nesses vários anos de luta lidando com música diuturnamente.
Quase todos os dias sou interpelado em redes
sociais por pessoas querendo me apresentar músicas, me pedindo opiniões sobre
trabalhos artísticos, sugestões, etc. . Fico orgulhoso, procuro ouvir tudo,
conversar com a galera, mas reitero: Pouco posso fazer! Se soubesse a ‘fórmula’
já a teria usado em benefício próprio. Hoje presencio o caos no mercado musical
e honestamente não tenho a menor ideia de como isso possa mudar efetivamente.
Há alguns anos li uma entrevista do Humberto Gessinger sobre esse tema. Ele dizia
a quem estava começando a se lançar na música no Brasil para rever suas
expectativas e não esperar muito desse meio. Nas entrelinhas entendi que ele
sugeria levar a coisa meio como hobby e o que viesse seria lucro. Na ocasião
achei que aquilo era recalque de quem já não frequentava a mídia como em outras
épocas, mas hoje admito que ele estava com a razão. Atualmente eu afirmo que a
coisa está pior ainda, aliás, bem pior... No fundo, quem sabe até onde podemos
ir somos nós mesmos! Não existe ninguém capaz de nos demover de um sonho, de
algo que sabemos que está vivo dentro de nós e que só você pressente que é
possível. É essa a sensação que te sustenta através dos anos e você não tem
muito mais que isso para se apegar. Quem acha que pode ‘chegar lá’ e não
desistiu sabe o que estou dizendo! Mas a realidade é dura, muito dura...
Dia desses, um jovem guitarrista
me perguntou insistentemente o que deveria fazer para que sua banda conseguisse
mais demanda e eu, num momento complicado e de modo abrupto, disse algo duro de
se ouvir: ‘Venda sua guitarra e vá fazer outra coisa’. Espero que ele não
tenha me levado a sério. Senão a coisa morre de vez... Cada um tem que saber
até onde pode ir e não cabe a mim opinar nessa questão. Efetivamente, não há
muito o quê se fazer na atual circunstância. Vivemos à espera de milagres e
eles às vezes batem à nossa porta quando menos esperamos. E isso acontece de
vez em quando, lhes asseguro. Existem momentos mágicos em que tudo sai da sua mão
e parece obedecer a uma lógica invisível e inexplicável. Devemos estar
preparados! Mas, via de regra, é o trabalho, o suor, a garra e às vezes o
talento, que realmente fazem a diferença. Para quem, ainda assim, quer o meu
‘conselho’, digo: Busque, não espere! Trabalhe, não se iluda! Persista, não
pare um minuto sequer. Quem sabe?!
AS ENGRENAGENS DO MAL
O meio artístico, assim como o
futebolístico e o político, é um antro de picaretagem sem fim. Bom seria se o
que importasse fosse apenas a arte em si, mas esse desejo é de uma ingenuidade
letal. A maioria absoluta das pessoas envolvidas nesse meio já foram
contaminadas pelo veneno que parece ser a característica natural de ambientes
onde o poder, os egos e o dinheiro são fatores proeminentes. Boas pessoas são
minoria, mas também existem e quando elas cruzarem sua trajetória, guarde-as!
Considere isso um prêmio, uma benção e jamais se afaste delas. São elas que
propiciam as grandes viradas de jogo. Essas boas almas não são tão apegadas às
questões rasteiras como a maioria é... Tem um momento em que você não consegue
mais seguir em frente por seus próprios meios e se nesse instante alguém ‘do
bem’ resolver te estender a mão, considere-se uma pessoa de sorte. Nessas horas
o invisível atua... Amigo é a palavra que você mais ouve, mas amizade é o que
você menos vê. Portanto, se você conseguir construir relações leais e elevadas,
seu fardo será um pouco mais leve.
Antigamente quem alimentava o
mercado da música eram as gravadoras. Não eram (e não são) nada ‘santas’, mas
ali existiam diretores artísticos comprometidos SIM com a possibilidade de um
bom retorno financeiro para a empresa, mas também com um nome ‘artístico’ a
zelar. Ou seja, o camarada não colocava qualquer porcaria para tocar no rádio,
pois ele queria manter o status de descobridor de talentos reais que
propiciariam lucros para a empresa e ainda trazer mais credibilidade para ele mesmo e para
as ações comerciais/estratégicas das gravadoras. Não podemos esquecer que
isso é um negócio como outro qualquer e todos tem que pagar suas contas. Não é
esse o problema! O meio musical não é e nunca foi nada filantrópico e nem tem
que ser. Mas quem reclamava da época em que as gravadoras gerenciavam o
esquema musical brasileiro hoje deve estar tão assustado quanto eu.
Após a ‘falência’ das gravadoras
nacionais e multinacionais pelos motivos sabidos (pirataria, caos virtual, queda
vertiginosa nas vendas de CDs, etc.) e pelos motivos ‘ignorados’ (gestão
incompetente e fanfarrista, preguiça em descobrir novas estratégias comerciais,
acomodação executiva, etc.) surgiu uma enorme lacuna nesse mercado. Alguém
tinha que preenchê-la... Eis que surgem os ‘empresários’!
OS EMPRESÁRIOS E A MÚSICA
Os maiores astros do mundo da
música, em parte, foram construídos graças aos empresários visionários e
competentes. Competente não quer dizer ‘bonzinho’... Mas o compromisso número 1
do empresário é o lucro. É errado isso? NÃO! Se amanhã a modalidade
‘assassinato ao vivo musicado’ começar a gerar bons dividendos o empresariado vai
conseguir empurrar isso goela abaixo da massa. Exageros à parte, o empresário musical quase sempre não está nem aí para a qualidade do produto que ele quer vender. Ele quer é
vender, exaurir ‘aquilo’ até onde for possível e ponto final. Meus cumprimentos
aos empresários que ao menos vislumbram algo lucrativo antes dos outros e
trabalham honestamente. Isso porque, a maioria destes que atuam na área
musical, se concentram apenas na repetição de fórmulas e isso sim é um ‘desserviço’
cultural à sociedade. Mas...
Com a lacuna deixada pela
‘falência’ das gravadoras, os empresários e escritórios musicais entraram de
sola nesse mercado. As rádios (que são as principais mídias da engrenagem
musical) perderam os ‘benefícios’ propiciados anteriormente pelas gravadoras
atualmente quebradas e foram ‘adotadas’ pelos empresários/escritórios particulares. Se antes havia um diretor
artístico de gravadora para filtrar ‘um pouco’ o que iria às prateleiras das
lojas de discos, agora quem toca nas grandes redes de rádio é quem tem o combustível ($) para lá estar. Ou seja, o empresário, através de sua influência
e poderio econômico (algumas vezes de origem duvidosa...), põe o seu artista na
mídia (que em geral segue o mesmo trâmite das rádios), seja ele talentoso ou
não. Aí o lema da atualidade é o seguinte: SALVE-SE QUEM PUDER!
Na verdade, todo esse processo é
discutível em sua base, pois se os principais canais de mídia (rádios, TVs,
etc.) são concessões governamentais, teriam que ser mais democráticos. Música
virou anúncio, propaganda e os espaços na mídia são vendidos como tal. É óbvio
que não são todos os meios que se portam de maneira tão voraz. Ainda vemos
coordenadores e donos de rádios com comprometimento com a qualidade e de bom
senso. O problema é que com a lavagem cerebral imposta à massa, as próprias
pessoas, consumidores de ‘música’, o ‘respeitável público’, passam a consumir e
exigir, tal como dependentes químicos, esses ‘produtos’ na mídia. Caímos todos
na mesma armadilha. Tornamo-nos reféns dessa engrenagem do mal.
Nesse cenário nefasto em questão,
o que não faltam são maracutaias. É comissão pra isso, uma ‘beiradinha’
pra aquilo, o amigo do fulano que tem o contato do sicrano que vai custar alguns reais. Os roubos descarados, os que se fingem de bobos... Os ‘ladrões de
galinha’, os pilantras de médio porte, os tubarões que podem te destruir num
piscar de olhos... Junte todas essas dificuldades à tradicional malandragem
nata do brasileiro, a uma preguiça intelectual reinante e às limitações
espirituais da maioria dos seres humanos e o que se apura é o CAOS!
O curioso e digno de menção, é
que todas as pessoas que ajudaram EFETIVAMENTE ao Scarcéus (banda da qual faço
parte como compositor e vocalista há 13 anos) com a viabilização de programas
de TV de expressão, trilhas que nos possibilitaram divulgar nossa obra, parcerias de renome artístico e midiático, parcerias empresariais, execução
real e permanente de nossas músicas em algumas rádios, não nos cobraram um
centavo por isso. A esses idealistas, o meu sincero agradecimento!
QUAL É O SOM DO BRASIL?
Do ano de 2005 (talvez um pouco
antes) até hoje, com as gravadoras falidas e os canais midiáticos do mercado
musical sem as mamatas dos tempos das vacas gordas, surgem avassaladoramente
os grandes escritórios e empresários do SEGMENTO POPULAR para ‘adotar’ esse
dito mercado da música no Brasil.
O Brasil, inegavelmente, evoluiu
social e economicamente na última década, o que fez com que a histórica
diferença entre ricos e pobres fosse atenuada. O que é louvável. De maneira
resumida, se excluirmos 10% da população brasileira ‘rica’ (que vive uma
realidade quase paralela, com outros anseios e oportunidades.) e 10% da
população brasileira ‘pobre’ (cujo foco, infelizmente, se resume em
sobreviver.) temos um público de 160 milhões de pessoas se esbarrando por
aí... Consumindo mais ou menos as mesmas coisas, indo a lugares que se
equiparam, com expectativas semelhantes. Essa massificação tornou o Brasil
mais homogêneo, mas fez com que o nível médio cultural geral diminuísse justamente
numa época em que estilos até então ignorados pela classe média se tornassem a
última MODA. Essa oportunidade não passou em branco para empresários e artistas ‘populares’ que, com uma estratégia
agressiva e competente, conquistaram o coração e a mente da maioria absoluta da
população brasileira.
Quem hoje for aos shows de
primeira linha da música sertaneja, do axé, do pagode, do forró, assistirá a
eventos de produção de nível internacional. Antigamente a qualidade
‘estrutural’ era premissa dos eventos de rock! Atualmente não. Gostem ou não, o
segmento popular é hoje quem dá as cartas nesse business.
Não adianta empunhar a guitarra
com rancor e berrar ao microfone em shows de quermesse para meia dúzia de
pessoas que ‘o rock´n roll é que é inteligente’ e quem sobrou é idiota.
MENTIRA! Quem frequenta essas festas populares atualmente são engenheiros,
médicos, juízes, dentistas, formadores de opinião, os próprios artistas... As
pessoas, de modo geral, querem se divertir, entreter-se! Hoje em dia, essas respeitáveis
pessoas (não estou sendo irônico), após tomarem umas e outras, dançam o tal do arrocha (um subgênero do forró misturado ao tecnobrega) sem o menor
constrangimento. De certa forma, o Brasil se assumiu popular.
O Brasil, por sua pluralidade
racial e cultural, merece SIM ser mais democrático musicalmente, pois nosso
povo está propenso a gostar de qualquer coisa. Não apenas no sentido negativo
de ‘qualquer coisa’, mas no fato de não ter preconceito em conhecer novas
propostas musicais e artísticas. Mas isso tem que chegar ao público, senão...
Quem se arrisca a dizer qual seria O SOM genuinamente brasileiro? Ou alguém
acha que o país que gerou ‘A Jovem Guarda’ do Roberto Carlos, Raul Seixas, Os
Mutantes, Renato Russo e sua ‘Legião Urbana’, Cazuza, Sepultura, Nação Zumbi, O
Rappa e tantos outros grandes talentos dessa vertente musical, não pode ser
considerado também o país do POP, do rock...
Nenhum estilo musical é superior
ideológica e artisticamente a outro. O que existem são preferências! Mas preferências
podem ser incitadas. Através da educação, da cultura, da diversidade, da
MÍDIA...
Talvez seja um exagero cobrar uma
postura cultural mais inteligente de uma população que sempre viveu à margem
num país que nunca se importou muito com os seus. Mesmo não querendo, a gente
acaba falando de política. O gosto da massa, por vezes sábio, às vezes
duvidoso, é a vingança contra quem sempre lhe virou às costas.
O mercado musical muda de tempos
em tempos, mas não devemos esperar mudanças drásticas. Estamos quase à espera
de um milagre.
MAS E O ROCK? COMO É QUE FICA?
Como disse no início, sei lá...
Tem gente que acha que a solução
é se meter dentro de guetos para um público ‘selecionado’. Respeito essa
postura, mas pra mim não basta. Ficar tocando cover em bar de rock com neguinho
chapado gritando ‘Ozzy’, ‘Iron’, ‘System’, ‘AC/DC’ e mesmo ‘Raul’, já encheu o
saco! Adoro esses artistas (são ícones e meus ídolos) e frequento esporadicamente esses ‘inferninhos’, mas, se não houver música autoral na parada, o futuro é
ainda mais negro. Aliás, acho quase esquizofrênico o sujeito ter uma banda
cover dos ‘Bs’, imitar os tiques dos ‘Bs’, ter os mesmos instrumentos dos ‘Bs’,
o mesmo cabelo dos ‘Bs’ e se vangloriar de ser o melhor cover dos ‘Bs’ de sua
cidade. Isso é ‘autoanulação’! Para celebrar os ‘Bs’ é só colocar um cd (ou
um vinil.) pra tocar, pois a obra dos ‘Bs’ é eterna! Mas os ‘Bs’ não vão mais
voltar... Que surjam novos ‘Bs’! O cover pode servir para que as pessoas associem
uma proposta nova a um artista que elas já conhecem. Versões e adaptações são
uma boa forma de mostrar seu estilo para o público. Até porque, se você tem a
chance de se apresentar numa exposição agropecuária no interior do Brasil para
10 mil pessoas e toca um repertório inteiro de inéditas, vai todo mundo
embora pra casa, por melhor que seja o seu som. Nem a Ivete Sangalo toca só
inéditas em seus shows... Tem que ficar atento com esse tipo de coisa. O
radicalismo é contraproducente.
Outra coisa... O ‘rockeiro
brasileiro’ é, em grande parte, preconceituoso. Não que o camarada tenha que
engolir qualquer lixo, mas é só alguém começar a cantar em português que ele
começa a se contorcer todo. Ele mete o pau em tudo, diz que falar de assuntos
‘delicados’ como AMOR é brega, mas quando quer transar com alguém fora de sua tribo grava aquela coletânea LOVE METAL, repleta de ‘Love ’ para sua possível vítima e acha o máximo! Ou seja, ‘Eu te amo’ não pode, mas ‘I Love you’
pode.
Vão me dizer também que não
surgiu ninguém no Pop/Rock nos últimos
anos no Brasil... Fato! Mas surgir como? A grande mídia está alugada para
outros gêneros. Algumas novas bandas foram meio que apadrinhadas pela crítica
especializada, mas de tão cults, não alcançam os entremeios da real vida
musical nacional. Quando não são ‘intelectuais’ cuja música tem aura de
projeto paralelo, são ‘pós-adolescentes’ barulhentos (no sentido técnico) com
30 pedais, mas que não aprenderam ainda a tocar e a cantar afinado. Aí o povão
assusta! rs... Vão me dizer que o rock não é pro povão... Como assim?
Experimente tocar uma versão de um hit dos Raimundos e veja se a massa não vem
abaixo! Se o rock até pouco tempo atrás era POPular talvez um dia possa voltar
a ser.
Tenho visto algumas bandas
consagradas do pop-rock nacional reclamarem da atual situação. Não deveriam!
Várias destas foram a última geração de bandas financiada pelas ‘majors’. A
retração do mercado pop se deve, em parte, à postura dessas bandas que não
souberam ou não quiseram fazer com que o público para esse estilo crescesse.
Ficaram olhando para o próprio umbigo e não pensaram corporativamente... Quem
já tentou ‘abrir’ shows dessas bandas sabe do que estou falando. Em tese, se
vários grupos do seu segmento obtém sucesso, o seu mercado tende a aumentar.
Então, dar uma força para quem está começando não é só altruísmo, é estratégia
de mercado! Mas aí surgem os egos... O ‘astro do rock’ parece ter o ego ainda
mais inflado que as demais estrelas. E toda arrogância será castigada...
A MTV, que por muito tempo ditou
as regras da cena pop no Brasil, e que poderia funcionar como uma alternativa
numa época de ‘trevas’, resolveu dificultar ainda mais o processo se afastando
abissalmente do que pode ser considerado viável em termos de música no Brasil.
Tanto que outras ‘emissoras musicais’ que se mostraram mais sensíveis ao que
acontece de fato no país, passaram a ter mais relevância nesse meio. Se você
liga a TV na MTV e olha pela janela da sua casa notará uma completa desconexão
entre as partes... Com aquelas ‘figuras’ e sua programação interplanetária, a
emissora parece querer se afastar irremediavelmente da realidade cultural e
mercadológica do Brasil. Na minha opinião, essa postura irônica baseada no
‘stand up’ e programas cheios de blá,blá,blá são uma tortura e me parece que
foi justamente onde a MTV tentou entrar mais em sintonia com o que está
acontecendo (de ruim) nas TVs abertas. Esse modelo estilo ‘Pânico na TV’ é
ultrapassado, repetitivo e as músicas desapareceram até do antes badalado Top 10 da emissora (a música quase nunca
rola por inteiro...). Agora parece que compraram a briga do RAP... Vamos ver o
que acontece. A vanguarda e o romantismo são louváveis, mas ignorar a maior
parte da realidade musical nacional é burrice. As pessoas que estão enfurnadas
nas grandes metrópoles brasileiras e que podem fazer algo PRECISAM tirar esses
‘traseiros refrigerados’ de seus escritórios às moscas e reconhecer que nós não
estamos na Europa e nem nunca estaremos. Existe um país gigantesco fora das
capitais doidinho para gostar de alguma coisa bacana, sem apelações.
Movimentem-se ou morram.
A cena alternativa não basta. É
vangloriada por alguns, mas a ‘panelinha’ também rola solta e com um agravante:
Sem dinheiro! Quem não tiver papai rico tá fodido (quase sempre)! Os grandes festivais
são uma boa maneira de se chamar a atenção novamente para o gênero, mas essa
estratégia de priorizar ‘bandas gringas cabeça’ que nem em seus próprios países
são relevantes não ganham eco por aqui. É por isso que quando o Rock in Rio se
dispõe a abrir espaço para outras tendências deve ser parabenizado. É uma ótima
sacada! Contextualizar novamente o rock em meio à cena musical e mercadológica
do país é uma maneira de fazer com o que o grande público se atente para outras
possibilidades devido à repercussão que essa ‘marca’ tem. A galera do metal não
aprova a ideia... Tudo bem! Que compareça só nos dias de suas atrações
preferidas.
Muito se fala que a internet é a
salvação da música... Eu não acho. A internet é apenas uma ferramenta que pode
ser usada de maneira útil. A banda tem que ser real! Virtualmente a gente vê
todo dia um novo popstar que não faz
show em lugar nenhum. Os números de views
no youtube e vários outros
indicativos de ‘sucesso’ na rede mundial podem ser forjados... Raramente alguns
desses fenômenos virtuais eventuais conseguem dar sequência na carreira. Essas
fórmulas mirabolantes são tiros nos pés. E outra, tem que saber tocar ao vivo,
ok? Em estúdio, com as possibilidades atuais, qualquer um pode ser ‘virtuose’.
Darei exemplos de estratégias bem
sucedidas... Se você vai passar férias no litoral da Bahia, dezenas, centenas
de barraquinhas e ambulantes vendem coletâneas variadas de Axé Music. Dizem alguns
que várias dessas bandas e artistas, até de renome, se ‘autopirateiam’ com o
intuito de lucrar mais (é óbvio!), mas também de divulgar seus lançamentos para
o resto do país. Resultado: Hoje em dia as ‘micaretas’ acontecem no Brasil
inteiro, o ano inteiro. Se você tenta comprar um show do artista sertanejo do
momento, o escritório dele quase te obriga a levar mais uma ou duas atrações do
mesmo grupo empresarial. Aí o mercado cresce... Parabéns pra eles!
Se a base de tudo é o equilíbrio,
por que não tentar aplicar essa filosofia no pop, no rock? Talvez seja utopia,
mas é o que me resta dizer ou fazer... Quem conseguir apresentar uma proposta
musical que não constranja a inteligência de quem é mais exigente, mas que
também não se afaste do que o povão está preparado para consumir, poderá ser
inserido nesse contexto atual de mercado, acredito eu. Acho possível algo
simples (mas não medíocre...) ser absorvido por todas as tribos sem maiores
sofrimentos. Afinal, algumas das melhores canções já compostas, as mais
relevantes talvez, são SIMPLES. Ou quem sabe não surja alguém com uma proposta
tão extravagante, tão absurda, tão politicamente incorreta que de tão
improvável se torne unânime e que rompa com tudo que estamos presenciando por
aqui... Algo tão imponderável quanto o gosto pessoal de cada um.
Na música, na arte, tudo pode! Aliás,
quase tudo... Que seja verdade, ao menos.
O RESUMO DA ÓPERA
O artista é um misto do que
esperam dele, um pouco da realidade em que vive, um pouco do que ele deseja ser
e um pouco do que ele realmente é. Na verdade, nós músicos estamos à distância
de uma canção para realizarmos todos os nossos sonhos. Algo que vá fazer a luta de toda uma vida
valer a pena. Temos que nos agarrar a isso, pois senão tudo estará perdido
para sempre. Se vamos ficar famosos ou ricos, é outra história. Se você
conseguir fazer com que suas ideias alcancem as pessoas, a saga terá valido a
pena. Sejam mil ou 1 milhão de fãs, não importa. Seu som tem que
convencê-los! A única (grande) diferença causada pelo número de admiradores é
sua conta bancária... rs. Pois a inteiração com público satisfaz do mesmo jeito
e traz sentido à vida de quem lida nessa seara, seja ele de que tamanho for.
Não que sejam justificáveis todos esses chiliques de artistas famosos, mas as pessoas em geral não tem a menor
ideia do que seus ídolos passam e passaram para chegar onde estão... Tanto os
astros super conhecidos quanto os meros mortais são
submetidos a um massacre psicológico permanente e é preciso ter estômago para
‘segurar a peteca’! Todo dia é uma rasteira, uma bola nas costas, uma
picaretagem... O meio musical e tudo que o cerca é insano e fugaz. O público te eleva a alturas inimagináveis, mas também sabe ser cruel... Hoje entendo
(embora não concorde) porque neguinho joga TV pela janela de hotel ou porque
às vezes reage mal a determinadas interpelações... Quando tudo vai bem o que
não faltam são sanguessugas, tapinhas nas costas e os ‘papagaios de pirata’
para puxar seu saco. Mas quando o ‘bicho pega’ é que você sabe com quem pode
contar e são poucos... Acreditem, é quase um clichê, mas por trás dos
personagens existem pessoas. Se o sujeito ‘chegou lá’ artisticamente, por pior
que possa parecer, ele deve ter merecido.
Você, quando opta pela carreira
musical, não imagina que a música é apenas a ponta do iceberg. Se realmente quer viver do seu som, aprenda a ser
empresário, relações públicas, a se fazer de bobo, cego, surdo, burro...
Infelizmente, às vezes a música é o que menos importa e quando você percebe
isso a decepção é indescritível! Mas a gente, quando quer muito, se adapta. Não
totalmente... Mas dá pra ir levando. Só não sei até onde, até quando... Se
você, em algum momento, não tiver a absoluta certeza de que seu caminho é a
carreira musical, nem entre nesse jogo. Para ter algumas horas de felicidade no
palco você tem anos de pancadaria fora dele.
Mas será que vale a pena? VALE!
Qualquer sofrimento desaparece quando as pessoas estão cantando suas músicas
nos shows. É por isso que ainda estamos aqui! Quando alguém se dirige a você e
diz que aquilo que você escreveu (no banheiro da sua casa...) mudou a vida dele
num momento de revés, você percebe o sentido de sua própria existência. É
mágico, lindo! Às vezes crianças, idosos, pessoas que eu jamais imaginaria
atingir me surpreendem mostrando que entenderam meu propósito e que minha obra,
da maneira mais improvável, lhes foi útil... Nessas horas a vida se enche de
luz e nos municiamos da energia necessária para seguir em frente.
Nesse desfecho, permito-me colocar
em voga algumas questões mais pessoais... Afirmo que procurei descrever
fielmente todas as impressões sobre tudo o que minha experiência na música me
ofereceu até hoje. É difícil ser totalmente isento quando se está no olho do
furacão... Mas apesar de toda a dificuldade que é levar uma vida musical digna,
sendo um artista de ‘pop-rock’ (inclusive o próprio termo é
inconclusivo) na atual condição em que o mercado musical brasileiro se
encontra, este artista acaba encontrando, bem lá no fundo, resquícios de
otimismo... Quem não teve o sonho de mudar o mundo com sua música que me atire
a primeira pedra! O resumo da ópera alguém já disse em algum lugar: Nós não
precisamos de muito... Nós precisamos, nós merecemos um pouco MAIS.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
O ESPORTE, O PAÍS ... E A VIDA!
Inevitável não falar das olimpíadas, independente da repercussão de nossas opiniões. Sejamos francos: o Brasil ainda está muito distante de ser uma potência olímpica. Este crescimento do nosso número de medalhas não disfarça a desorganização histórica com que foi tratado o esporte brasileiro em termos gerais desde sempre.
Esse ‘oba oba’ econômico ainda não chegou efetivamente pra mim... E pra você? Você se sente mais seguro? Mais resguardado socialmente, no que se refere à saúde, educação, infra-estrutura, cultura? No que diz respeito às questões mais básicas que envolvem o bem estar da população de qualquer nação, ainda somos um fiasco.
Falando de esporte, se ‘você’ é a sexta economia do mundo, porquê não fica ao menos entre os 10 primeiros colocados nas olimpíadas? Com 200 milhões de habitantes... E com DNA de todas as raças presentes em ‘seu’ povo! Digo isso pois alguns estudos mostram que cada raça tem predisposição para determinadas atividades físicas de acordo com sua fisiologia. O Brasil tem todas elas em seus ‘quadros’... É o benefício da miscigenação que somos incompetentes para aproveitar. Normal. Vários dos nossos melhores resultados nessas competições eu atribuo ao esforço individual de cada atleta, à sua vontade e determinação. À estes eu rendo minhas sinceras homenagens. Aos ‘Esquivas, Yanes e Saras’ da vida, esportistas brasileiros dedicados e competentes que apesar do descaso de seus comandantes conseguiram ótimos resultados, os meus parabéns!
Justiça seja feita, o vôlei brasileiro está entre os primeiros há quase duas décadas e merece nosso aplauso. Um ‘alguém’ competente deve ter passado por lá... O Judô sempre obteve bons resultados também e os centros de excelência de natação e ginástica olímpica já nos trouxeram alguns avanços... Mas ainda é muito pouco! Há que se ressaltar também o crescimento do boxe brasileiro constatado em Londres.
Sou leigo mas não sou burro! Quer nadar bem? Copie os EUA. Quer ter bons resultados em provas de fundo no atletismo? Copie os africanos. Quer medalhas no ping-pong? Copie os asiáticos... Quer ter resultados representativos no atletismo, copie quem sempre está na frente! É o óbvio! O atletismo brasileiro foi constrangedor nessas últimas olimpíadas... O basquete também tem que se explicar... Aliás, muitos tem que se explicar pelos vacilos em Londres e as bobeadas de sempre!
Outra coisa, não confundam esporte de alto rendimento com atividades de recuperação social de indivíduos. O esporte como ‘instrumento’ para inserção e recuperação social é muito bem vindo, assim como a arte, inclusive podemos revelar alguns atletas e artistas, salvando ainda muita gente de caminhos errados. Isso é importante e deve ser fomentado sim! Beleza. Mas para ganhar MEDALHAS NAS OLIMPÍADAS devem ser descobertos os melhores, deve haver investimento nos melhores, devemos cobrar dos melhores. Sejam eles pobres ou ricos, brancos ou negros, bonitos ou feios... Temos que descobrir atletas com potencial. Investimento financeiro, tecnologia, organização, psicologia, competência... ‘Fulano’ tem que aprender a ganhar!!! Vamos parar com essa ‘batucada chinfrim’ e vamos nos concentrar de forma adequada! Vamos parar com essa choradeira e desculpas e vamos em busca do 1° lugar porque essas justificativas de que a “história de vida do ‘ciclano’ já é uma vitória” já encheu o saco e periga se tornar desculpa de perdedor. Na hora do ‘sacode’ tem que ter ‘sangue nos olhos’ senão vai ficar pra trás dos gringos eternamente... Temos que nos acostumar com as vitórias quando o assunto é competição esportiva de alto nível, ok? Respeito a religião, as crenças de cada um mas na hora H não adianta ficar se benzendo a todo momento se você não trabalhou o suficiente. Deus te dá o dom mas o esforço é seu! O trabalho é seu e tem que ser árduo! Ou você acha que Deus pensou o seguinte: ‘Vou dar o 1° lugar nas olimpíadas para os EUA, o 2° para a China, o 3° para a Grã- Bretanha...’ e aí por diante... Logo pra eles? Deus tem coisa mais importante pra fazer!
E o dinheiro pra investir? Tem de sobra! É só diminuir, vejam bem, DIMINUIR a bandalheira, que sobra uma ‘beirada’ para o esporte, a educação, a saúde... Não sou de modo algum contrário à copa e às olimpíadas no Brasil. É SIM uma grande oportunidade que pode e deve ser aproveitada para melhorar vários segmentos do país. Quem sabe o medo da vergonha à que seremos expostos se esses eventos forem um ‘mico’ do tamanho do King-Kong não seja o ‘incentivo’ que nossos governantes precisam para tomar algumas atitudes mais dignas... Perdoem-me alguns, mas jamais torço contra meu país, NUNCA!
Para terminar, os EUA são o País do basquete? Sim, 14 medalhas de ouro nessa modalidade esportiva em Olimpíadas... O Brasil é o país do futebol??? Rs... Fora Mano.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
EU E O ROCK... O ROCK E EU...
Os melhores discos do ‘pop rock nacional’!
De vez em quando a gente vê algumas listas por aí e é o tipo de coisa que nos deixa curiosos... Resolvi listar os álbuns que marcaram a minha vida, pessoal e musical, e que considero alguns dos mais importantes em termos gerais na música brasileira. Aproveitando esse que é o mês do rock... Celebremos!
1 - Legião Urbana - ‘DOIS’ > Cheguei a ficar em dúvida entre esse e ‘AS QUATRO ESTAÇÕES’. Mas o arrebatamento que músicas como ‘Tempo Perdido’, ‘Quase sem querer’, ‘Eduardo e Mônica’, entre outras obras primas, me proporcionaram, é algo que até hoje não consigo entender direito. O que foi aquilo? Tive a chance de tocar num evento com o Marcelo Bonfá, baterista da ‘Legião’, e confesso: me emocionei.
2 - Titãs - ‘CABEÇA DINOSSAURO’ > Polêmico, agressivo, cru, inteligente e cheio de guitarra! Rock nacional na essência do termo. Sem mais.
3 - RPM - ‘RÁDIO PIRATA ao Vivo’ > O que contestar num disco que vendeu 3 milhões de cópias? ‘Olhar 43’, ‘Revoluções por minuto’, uma regravação de ‘London, London’, do Caetano Veloso, e uma turnê que mudou os parâmetros do ‘show business’ brasileiro. Paulo Ricardo é um dos grandes letristas e compositores do pop rock nacional e foi injustiçado pela crítica por ser talvez o único ‘sex symbol’ dessa geração... Genial.
4 - Ultraje à Rigor - ‘NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA’ > Como fazer para emplacar um álbum só com hits? Perguntem ao Ultraje, eles conseguiram. ‘Rebelde sem causa’, ‘Ciúme’, ‘Inútil’ são verdadeiros hinos da juventude oitentista.
5 - Paralamas do Sucesso – ‘O PASSO DO LUI’ > ‘Meu erro’, ‘Óculos’, ‘Fui eu’ e ‘Romance ideal’ fazem parte desse disco... Aí eu nem discuto.
6 - Lobão – ‘VIDA BANDIDA’ > Indispensável para quem gostaria de achar uma vertente mais pesada e tensa pro rock brasileiro. O petardo ‘Vida bandida’ é um eterno clássico e o ‘Big Wolf’ é foda!
7 - Blitz – ‘RADIOATIVIDADE’ > A banda que mudou a cena pop no Brasil não poderia ficar de fora. Esse disco é incrivelmente criativo e bem feito, talvez pela vertente teatral de seus componentes. Evandro Mesquita já foi super herói de muita gente por aí...rs.
8 - Engenheiros do Hawaii – ‘A REVOLTA DOS DÂNDIS’ > Eu tomei um pouco de birra do Humberto Gessinger pois quando eu era um adolescente super fã do cara, ele foi um perfeito babaca ao quase me negar um simples aperto de mão... Além de ótima música, os ‘Engenheiros’ me ensinaram a como não tratar um fã. Mas ‘Infinita Highway’ atenuou minha frustração: esse álbum é perfeito!
9 - Lulu Santos – ‘Lulu Acústico MTV’ > Certamente algumas das mais belas canções pop já feitas no Brasil estão nesse cd composto só por mega sucessos. Para ‘resumir’ a obra desse talentosíssimo cantor, guitarrista, compositor, ‘show man’ tinha que ser nessa ótima coletânea.
10 - Capital Inicial – ‘ACÚSTICO MTV’ > A MTV já teve extrema importância na música brasileira, quando se dispunha a DIVULGAR MÚSICA para as pessoas em termos gerais e não apenas fomentar pequenos guetos ‘cult’ ou 'teens', como hoje. A prova disso é que o Capital Inicial voltou à tona com tudo após estar quase morto, com o lançamento desse belo cd que contém o ‘resumo da ópera’ dessa que é das mais importantes bandas do pop rock nacional e que está produzindo ativamente até os dias atuais. Ótimas músicas, ótimos arranjos.
11 - Barão Vermelho – ‘NA CALADA DA NOITE’ > Eu prefiro o ‘Barão’ pós Cazuza... Vários hits neste cd, desta que talvez seja a banda de rock nacional mais legal de todos os tempos. Frejat segurou as pontas após a saída do genial Cazuza e fez mais: Se tornou um ótimo vocalista além de reconhecidamente ser um guitarrista bastante criativo. ‘O poeta está vivo’, ‘Política voz’, ‘Tão longe de tudo’, ‘A voz da chuva’... Preciso dizer mais?
12 - Skank – ‘CALANGO’ > O cd que alçou a banda ao sucesso. Marca o ressurgimento do rock nacional na década de 90 e mostra as novas tendências que as bandas pop da época começavam a procurar sem receios de agregar novos ritmos e sonoridades ao seu som. Clássico!
13 - O Rappa - ‘RAPPA MUNDI’ > Esse cd é sensacional! Até hoje soa moderno com ótimas letras, concepções, músicas... O Rappa talvez seja a última banda contestadora do mainstream brasileiro.
14 - Raimundos – ‘SÓ NO FOREVIS’ > Esse disco, além de pesado e engraçado, marcas principais do grupo, é super inteligente. A banda usou de vários artifícios para fazer com que seu som, já ‘estourado’ no meio rockeiro, chegasse às massas... E conseguiu! ‘Mulher de Fases’ tocou até em elevador, como eles mesmos previram nesse mesmo cd!
15 - Pitty – ‘ADMIRÁVEL CHIP NOVO’ > Um disco de rock perfeito! ‘Máscara’ é uma das músicas mais legais que já ouvi. A Pitty inicialmente foi 'batizada' como cantora teen erroneamente e isso fez com que sua popularidade no meio musical não fosse condizente com seu talento e importância.
16 - Jota Quest – ‘DE VOLTA AO PLANETA’ > Me lembro de ter ido à uma das edições do ‘Pop Rock Brasil', ainda no estádio Independência em BH, e quando começou a rolar ‘De volta ao planeta’, tive a impressão de que até as barracas e carros de pipoca pulavam. Catarse total! Os caras souberam mesclar bem essa onda ‘disco’ com pop/rock e criaram um estilo deles. E as baladas... bem, ‘Fácil’ talvez tenha sido a música mais tocada do ano naquela época.
17 - IRA! – ‘ACÚSTICO MTV’ > A banda que criou ‘Dias de luta’, ‘Envelheço na cidade’, ‘Flores em você’ bombou novamente devido à esse álbum. Merecidamente! Nasi e Edgar Scandurra formavam uma dupla incrivelmente talentosa e carismática. A nota de pesar foi o ‘indigno’ rompimento do grupo recentemente.
18 - Chico Sciense & Nação Zumbi – ‘AFROCIBERDELIA’ > O disco todo é meio alternativo e as vezes de difícil audição mas ‘Maracatu atômico’ e ‘Manguetown’ mostraram ao mundo um estilo musical híbrido genuinamente brasileiro. Tem grande relevância histórica até porque o lendário Chico Sciense veio a falecer logo em seguida.
19 - Charlie Brown JR – ‘TRANSPIRAÇÃO CONTÍNUA PROLONGADA’ > O maior mérito desse cd foi fazer a ‘mulecada’ perder o medo de guitarra. Houve uma época no Brasil em que distorções estavam ‘proibidas’ e significavam fracasso comercial. Esse álbum ajudou a acabar com esse estigma. Com ótimos músicos, arranjos criativos e letras descontraídas, o Charlie Brown se tornou o maior representante dessa nova geração de bandas brasileiras.
20 - Mamonas Assassinas – ‘MAMONAS ASSASSINAS’ > Todo sucesso estrondoso provoca amor e ódio... De tão tosco esse disco é quase cult! O Mamonas acabou ficando com uma imagem meio infantil devido ao alcance que conseguiu obter, mas esse cd tem muita coisa legal. Provavelmente a maioria dos brasileiros só teve contato com bandas como ‘Rush’ e ‘The Clash’ devido à esse álbum pois rolam algumas mensagens subliminares e apropriações que remetem à essas icônicas bandas. Além disso é muito, mas muito divertido mesmo, na minha opinião. Muitos, como eu, só perceberam que gostavam do som desses caras depois que eles se foram...
O meu top 30 mundial do Rock!
Abaixo seguem algumas das músicas 'gringas' que mudaram minha vida:
1- ‘I Love it loud’ > KISS
2- ‘Bohemian rhapsody’ > QUEEN
3- ‘Aces high’ > IRON MAIDEN
4- ‘Livin on a prayer’ > BON JOVI
5- ‘Enter sandman’ > METALLICA
6- ‘Pour some sugar on me’ > DEF LEPPARD
7- ‘Walk this way’ > AEROSMITH
8- ‘Why can this be love’ > VAN HALEN
9- ‘Now your gone’ > WHITESNAKE
10- ‘Were not gonna take it’ > TWISTED SISTER
11- ‘Back in black’ > AC/DC
12- ‘Paradise city’ > GUNS’N ROSES
13- ‘Alive’ > PEARL JAM
14- ‘Smeels like teen spirit’ > NIRVANA
15- ‘I wanna be somebody’ > WASP
16- ‘In the end’ > LINKIN PARK
17- ‘My sacrifice’ > CREED
18- ‘BYOB’ > SYSTEM OF A DOWN
19- ‘Other side’ > RED HOT CHILI PEPPERS
20- ‘Stormbringer’> DEEP PURPLE
21- ‘Man in the box’> ALICE IN CHAINS
22- ‘Epic’ > FAITH NO MORE
23- ‘18° and life’ > SKID ROW
24- ‘Rock you like a hurricane’ > SCORPIONS
25- ‘To be with you’ > Mr. BIG
26- ‘War pigs’ > BLACK SABATH
27- ‘Someday’ > NICKELBACK
28- ‘Twist and shout’ > THE BEATLES
29- ‘Stairway to heaven’ > LED ZEPPELIN
30- ‘Have you ever seen the rain’ > CREEDENCE
Essa ordem é aleatória e poderia ter 100 músicas facilmente… Junte essas canções à lista dos álbuns ‘nacionais’ que mencionei e o resultado certamente será algo parecido com o som do Scarcéus!
Alguém vai dizer que faltou algo como o ‘VENTURA’ do Los Hermanos, que apesar de sua qualidade, não chegou ao 'povão', como os outros álbuns citados. Confesso que eu gostava mesmo era de ‘Ana Júlia’... Cazuza é genial e sua obra também é digna de menção mas eu me senti traído quando ele deixou o Barão... Cássia Eller era ‘fodassa’ mas me lembro dela muito mais como intérprete... Raul Seixas e Rita Lee vieram antes dos anos 80 e não vivi o momento deles com tanta intensidade, mas reputo à eles a ‘invenção’ desse ‘rock brasuca’! Talvez devesse falar também de Roberto e Erasmo... Muitos outros artistas tiveram bons momentos e sou grato a todos eles...
Enfim, essas são apenas as minhas listas... SAUDADE!
De vez em quando a gente vê algumas listas por aí e é o tipo de coisa que nos deixa curiosos... Resolvi listar os álbuns que marcaram a minha vida, pessoal e musical, e que considero alguns dos mais importantes em termos gerais na música brasileira. Aproveitando esse que é o mês do rock... Celebremos!
1 - Legião Urbana - ‘DOIS’ > Cheguei a ficar em dúvida entre esse e ‘AS QUATRO ESTAÇÕES’. Mas o arrebatamento que músicas como ‘Tempo Perdido’, ‘Quase sem querer’, ‘Eduardo e Mônica’, entre outras obras primas, me proporcionaram, é algo que até hoje não consigo entender direito. O que foi aquilo? Tive a chance de tocar num evento com o Marcelo Bonfá, baterista da ‘Legião’, e confesso: me emocionei.
2 - Titãs - ‘CABEÇA DINOSSAURO’ > Polêmico, agressivo, cru, inteligente e cheio de guitarra! Rock nacional na essência do termo. Sem mais.
3 - RPM - ‘RÁDIO PIRATA ao Vivo’ > O que contestar num disco que vendeu 3 milhões de cópias? ‘Olhar 43’, ‘Revoluções por minuto’, uma regravação de ‘London, London’, do Caetano Veloso, e uma turnê que mudou os parâmetros do ‘show business’ brasileiro. Paulo Ricardo é um dos grandes letristas e compositores do pop rock nacional e foi injustiçado pela crítica por ser talvez o único ‘sex symbol’ dessa geração... Genial.
4 - Ultraje à Rigor - ‘NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA’ > Como fazer para emplacar um álbum só com hits? Perguntem ao Ultraje, eles conseguiram. ‘Rebelde sem causa’, ‘Ciúme’, ‘Inútil’ são verdadeiros hinos da juventude oitentista.
5 - Paralamas do Sucesso – ‘O PASSO DO LUI’ > ‘Meu erro’, ‘Óculos’, ‘Fui eu’ e ‘Romance ideal’ fazem parte desse disco... Aí eu nem discuto.
6 - Lobão – ‘VIDA BANDIDA’ > Indispensável para quem gostaria de achar uma vertente mais pesada e tensa pro rock brasileiro. O petardo ‘Vida bandida’ é um eterno clássico e o ‘Big Wolf’ é foda!
7 - Blitz – ‘RADIOATIVIDADE’ > A banda que mudou a cena pop no Brasil não poderia ficar de fora. Esse disco é incrivelmente criativo e bem feito, talvez pela vertente teatral de seus componentes. Evandro Mesquita já foi super herói de muita gente por aí...rs.
8 - Engenheiros do Hawaii – ‘A REVOLTA DOS DÂNDIS’ > Eu tomei um pouco de birra do Humberto Gessinger pois quando eu era um adolescente super fã do cara, ele foi um perfeito babaca ao quase me negar um simples aperto de mão... Além de ótima música, os ‘Engenheiros’ me ensinaram a como não tratar um fã. Mas ‘Infinita Highway’ atenuou minha frustração: esse álbum é perfeito!
9 - Lulu Santos – ‘Lulu Acústico MTV’ > Certamente algumas das mais belas canções pop já feitas no Brasil estão nesse cd composto só por mega sucessos. Para ‘resumir’ a obra desse talentosíssimo cantor, guitarrista, compositor, ‘show man’ tinha que ser nessa ótima coletânea.
10 - Capital Inicial – ‘ACÚSTICO MTV’ > A MTV já teve extrema importância na música brasileira, quando se dispunha a DIVULGAR MÚSICA para as pessoas em termos gerais e não apenas fomentar pequenos guetos ‘cult’ ou 'teens', como hoje. A prova disso é que o Capital Inicial voltou à tona com tudo após estar quase morto, com o lançamento desse belo cd que contém o ‘resumo da ópera’ dessa que é das mais importantes bandas do pop rock nacional e que está produzindo ativamente até os dias atuais. Ótimas músicas, ótimos arranjos.
11 - Barão Vermelho – ‘NA CALADA DA NOITE’ > Eu prefiro o ‘Barão’ pós Cazuza... Vários hits neste cd, desta que talvez seja a banda de rock nacional mais legal de todos os tempos. Frejat segurou as pontas após a saída do genial Cazuza e fez mais: Se tornou um ótimo vocalista além de reconhecidamente ser um guitarrista bastante criativo. ‘O poeta está vivo’, ‘Política voz’, ‘Tão longe de tudo’, ‘A voz da chuva’... Preciso dizer mais?
12 - Skank – ‘CALANGO’ > O cd que alçou a banda ao sucesso. Marca o ressurgimento do rock nacional na década de 90 e mostra as novas tendências que as bandas pop da época começavam a procurar sem receios de agregar novos ritmos e sonoridades ao seu som. Clássico!
13 - O Rappa - ‘RAPPA MUNDI’ > Esse cd é sensacional! Até hoje soa moderno com ótimas letras, concepções, músicas... O Rappa talvez seja a última banda contestadora do mainstream brasileiro.
14 - Raimundos – ‘SÓ NO FOREVIS’ > Esse disco, além de pesado e engraçado, marcas principais do grupo, é super inteligente. A banda usou de vários artifícios para fazer com que seu som, já ‘estourado’ no meio rockeiro, chegasse às massas... E conseguiu! ‘Mulher de Fases’ tocou até em elevador, como eles mesmos previram nesse mesmo cd!
15 - Pitty – ‘ADMIRÁVEL CHIP NOVO’ > Um disco de rock perfeito! ‘Máscara’ é uma das músicas mais legais que já ouvi. A Pitty inicialmente foi 'batizada' como cantora teen erroneamente e isso fez com que sua popularidade no meio musical não fosse condizente com seu talento e importância.
16 - Jota Quest – ‘DE VOLTA AO PLANETA’ > Me lembro de ter ido à uma das edições do ‘Pop Rock Brasil', ainda no estádio Independência em BH, e quando começou a rolar ‘De volta ao planeta’, tive a impressão de que até as barracas e carros de pipoca pulavam. Catarse total! Os caras souberam mesclar bem essa onda ‘disco’ com pop/rock e criaram um estilo deles. E as baladas... bem, ‘Fácil’ talvez tenha sido a música mais tocada do ano naquela época.
17 - IRA! – ‘ACÚSTICO MTV’ > A banda que criou ‘Dias de luta’, ‘Envelheço na cidade’, ‘Flores em você’ bombou novamente devido à esse álbum. Merecidamente! Nasi e Edgar Scandurra formavam uma dupla incrivelmente talentosa e carismática. A nota de pesar foi o ‘indigno’ rompimento do grupo recentemente.
18 - Chico Sciense & Nação Zumbi – ‘AFROCIBERDELIA’ > O disco todo é meio alternativo e as vezes de difícil audição mas ‘Maracatu atômico’ e ‘Manguetown’ mostraram ao mundo um estilo musical híbrido genuinamente brasileiro. Tem grande relevância histórica até porque o lendário Chico Sciense veio a falecer logo em seguida.
19 - Charlie Brown JR – ‘TRANSPIRAÇÃO CONTÍNUA PROLONGADA’ > O maior mérito desse cd foi fazer a ‘mulecada’ perder o medo de guitarra. Houve uma época no Brasil em que distorções estavam ‘proibidas’ e significavam fracasso comercial. Esse álbum ajudou a acabar com esse estigma. Com ótimos músicos, arranjos criativos e letras descontraídas, o Charlie Brown se tornou o maior representante dessa nova geração de bandas brasileiras.
20 - Mamonas Assassinas – ‘MAMONAS ASSASSINAS’ > Todo sucesso estrondoso provoca amor e ódio... De tão tosco esse disco é quase cult! O Mamonas acabou ficando com uma imagem meio infantil devido ao alcance que conseguiu obter, mas esse cd tem muita coisa legal. Provavelmente a maioria dos brasileiros só teve contato com bandas como ‘Rush’ e ‘The Clash’ devido à esse álbum pois rolam algumas mensagens subliminares e apropriações que remetem à essas icônicas bandas. Além disso é muito, mas muito divertido mesmo, na minha opinião. Muitos, como eu, só perceberam que gostavam do som desses caras depois que eles se foram...
O meu top 30 mundial do Rock!
Abaixo seguem algumas das músicas 'gringas' que mudaram minha vida:
1- ‘I Love it loud’ > KISS
2- ‘Bohemian rhapsody’ > QUEEN
3- ‘Aces high’ > IRON MAIDEN
4- ‘Livin on a prayer’ > BON JOVI
5- ‘Enter sandman’ > METALLICA
6- ‘Pour some sugar on me’ > DEF LEPPARD
7- ‘Walk this way’ > AEROSMITH
8- ‘Why can this be love’ > VAN HALEN
9- ‘Now your gone’ > WHITESNAKE
10- ‘Were not gonna take it’ > TWISTED SISTER
11- ‘Back in black’ > AC/DC
12- ‘Paradise city’ > GUNS’N ROSES
13- ‘Alive’ > PEARL JAM
14- ‘Smeels like teen spirit’ > NIRVANA
15- ‘I wanna be somebody’ > WASP
16- ‘In the end’ > LINKIN PARK
17- ‘My sacrifice’ > CREED
18- ‘BYOB’ > SYSTEM OF A DOWN
19- ‘Other side’ > RED HOT CHILI PEPPERS
20- ‘Stormbringer’> DEEP PURPLE
21- ‘Man in the box’> ALICE IN CHAINS
22- ‘Epic’ > FAITH NO MORE
23- ‘18° and life’ > SKID ROW
24- ‘Rock you like a hurricane’ > SCORPIONS
25- ‘To be with you’ > Mr. BIG
26- ‘War pigs’ > BLACK SABATH
27- ‘Someday’ > NICKELBACK
28- ‘Twist and shout’ > THE BEATLES
29- ‘Stairway to heaven’ > LED ZEPPELIN
30- ‘Have you ever seen the rain’ > CREEDENCE
Essa ordem é aleatória e poderia ter 100 músicas facilmente… Junte essas canções à lista dos álbuns ‘nacionais’ que mencionei e o resultado certamente será algo parecido com o som do Scarcéus!
Alguém vai dizer que faltou algo como o ‘VENTURA’ do Los Hermanos, que apesar de sua qualidade, não chegou ao 'povão', como os outros álbuns citados. Confesso que eu gostava mesmo era de ‘Ana Júlia’... Cazuza é genial e sua obra também é digna de menção mas eu me senti traído quando ele deixou o Barão... Cássia Eller era ‘fodassa’ mas me lembro dela muito mais como intérprete... Raul Seixas e Rita Lee vieram antes dos anos 80 e não vivi o momento deles com tanta intensidade, mas reputo à eles a ‘invenção’ desse ‘rock brasuca’! Talvez devesse falar também de Roberto e Erasmo... Muitos outros artistas tiveram bons momentos e sou grato a todos eles...
Enfim, essas são apenas as minhas listas... SAUDADE!
quinta-feira, 14 de junho de 2012
‘No pelo do macaco’... Uma paspalhada à brasileira!
O último clipe do Alexandre Pires me constrange um pouco. Não sei se é a música, a coreografia, o conceito ou a inexistência dele... Só sei que sinto aquela sensação de pum no elevador quando só estão duas pessoas no mesmo e você sabe que não foi você o autor do delito. O ‘mineirinho’ de Uberlândia é um ótimo cantor e já fez coisas ‘mais legais’, na minha opinião. Para completar o time de gosto peculiar, ‘atua’ no vídeo o craque dos gramados Neymar também vestido de macaco (a fantasia do bicho é o que parece ter gerado a polêmica...). Aliás, o menino prodígio santista é quem tem determinado os rumos dos sucessos musicais no Brasil... É o fundo do poço em termos artísticos... Ou será que dá pra afundar mais? Nenhum estilo se sobrepõe a outro em termos de qualidade, há propostas musicais boas e ruins independente da vertente musical e no Brasil, por definição cultural, tem que rolar espaço e gosto pra tudo, ou quase tudo...
Mas o principal assunto que se origina desse clipe não é a qualidade dele e sim esse disparate puritano pseudomoralista que começa a se alastrar pelo país. Está uma frescura danada, todo mundo pisando em ovos para não ser tachado de racista ou preconceituoso. Racismo é algo monstruoso, repugnante e condenável, não me entendam mal! Mas tem gente exagerando... Falam que ter ‘bumbum de negro’ é qualidade, mas ‘beiço de negro’ é racismo? Toda raça tem suas características peculiares, inexatas, e devemos nos aceitar como somos, sem preconceitos, mas também sem complexos. O cantor e compositor Lobão disse que se montasse uma banda denominada RAÇA BRANCA seria preso, e seria mesmo! Se me chamarem de ‘barrigudo’ ou ‘espinhento’ eu devo meter processo também? Imaginem: “Ana Paula Arósio exige indenização por ser chamada de branquela leite azedo”! Não soa meio ridículo? Estendendo o raciocínio: Porque a torcida ‘pode’ chamar o sujeito de bicha no estádio de futebol e na quadra de vôlei não pode??? Porque todo mundo leva as ofensas à mãe do árbitro de futebol meio na base da brincadeira, mas em outros casos envolvendo raça e orientação sexual a coisa vira uma celeuma incrível? Chamar de gato pode, mas quando surge a palavra macaco, um bicho que se assemelha muito mais ao ser humano por sua inteligência e vivacidade, vira caso de polícia... Hoje em dia ser negro ou gay ‘está na moda’ e na maioria absoluta das vezes não há motivo para estardalhaço. Na minha adolescência, quanto mais me xingavam de ‘cabeludo veado’ ou ‘maconheiro vagabundo’ mais popular eu ficava com o sexo oposto... E olha que nunca fui e não sou lá tão galã... rs. Das adversidades podemos e devemos encontrar nossas forças. Além do que, no caso do videoclipe em questão, a coisa é muito mais absurda, pois o Alexandre Pires é reconhecidamente negro!
Cotas Raciais
Reza a lenda que as tais ‘ações afirmativas’, tão em voga atualmente por aqui, são iniciativas que visam inserir determinados grupos étnicos na sociedade. Tal conceito já foi utilizado em outros países, em outras épocas e por definição é algo louvável e deve ser temporário. O Brasil adotou as cotas raciais em universidades a fim de inserir o negro de modo mais amplo no ciclo educacional e mercadológico brasileiro. Penso que essa ‘iniciativa’ é antidemocrática e discriminatória e só pode ser avaliada como útil para o país se for experimentada realmente por um determinado período... Período esse que o país levaria para propiciar uma educação de qualidade em todos os níveis para TODOS os brasileiros, sejam eles negros, índios, amarelos, pardos, brancos... Aí a disputa por vagas nas universidades e no mercado de trabalho seria mais igualitária. Mas quando se trata de Brasil, de política, de planejamento, a coisa se complica. Quem se lembra do empréstimo compulsório sobre os combustíveis? E da CPMF? Também eram pra funcionar apenas por um período e foram postergados até onde deu... E de tantos outros engodos? É claro que nossos governantes não instituíram um prazo para que as cotas raciais deixem de ser usadas! Por que? Porque teriam que minimizar a roubalheira, fazer escolas de qualidade e pagar salários justos para os professores... Aí ‘aperta’ pra eles... No meu modo de entender, cotas sociais seriam mais justas que cotas raciais. Se bem que no geral, essa ideia de cotas é algo que me incomoda um pouco, é uma sensação estranha... Imaginem se essa ‘filosofia’ for ‘aprimorada’ ainda mais... Nos restaurantes, boates, faculdades, repartições públicas, estádios, deveriam ter espaço reservado obrigatório em que percentuais para índios, gays, fumantes, deficientes, negros, brancos, vegetarianos, estudantes, espíritas ??? Somos pessoas! E salvo algumas justas ou periódicas exceções, devemos ser tratados igualitariamente, com os mesmos direitos e deveres. Isso sim é DEMOCRACIA!
A escravidão foi uma chaga histórica na humanidade e não segregou apenas negros através dos tempos. Em algumas partes do mundo ainda precisa ser combatida de modo veemente e real !!! É uma página que deve ser lembrada SIM, mas que precisa ser virada. Imaginem se nós brasileiros nos revoltássemos contra o tipo de colonização que tivemos e cobrássemos essa ‘dívida’ de Portugal? Ou se tivéssemos que pagar pelo massacre que impusemos aos nossos vizinhos na Guerra do Paraguai? Ou se a Alemanha impusesse à sua sociedade cotas para Judeus devido ao holocausto? Ou se o Vaticano fosse obrigado a devolver todo o ouro presente em seus cofres oriundos Deus sabe de onde e a que preço? Pensem em todo esse ressentimento!
Quanto à preconceitos, bem, isso é algo a ser analisado minuciosamente e principalmente por nós mesmos. O que são preconceitos? O que são preferências? Quem, no seu íntimo, não tem algum tipo de ‘preconceito’ com algo, mais ou menos importante... Essa é uma guerra a ser travada diariamente sem demagogia já que temos capacidade intelectual e de discernimento, humanos que somos...
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